E é a cafeína o nosso combustível
Ficas alerta dos problemas sociais
Mas com os teus estás sempre indisponível
Ralhas com teus pais
Como se eles fossem estranhos
Desprezas toda essa geração!
Fazes o que te dá na real gana
Esquecendo quem te deu educação
Vais trabalhar
Com vontade de ires dormir
Nem pensas como essa empresa te foi admitir!
Fugiste a tropa, não namoras que é que fazes?
Tás acordado enquanto os outros dormem
Depois queixas-te ouvir dizer que não és homem!
Que triste fim que vejo para ti
Agoniado enquanto acordado
Com aquela grande bebedeira
Ingerindo vodka a noite inteira!
O tempo passa e tu ai parado
Não vais crescer assim sempre deitado!
Estás perdido no meio dessa confusão
Dessas ideias que julgas geniais
Mas quando o fim do mês esta a porta
Vais pedir é ajuda dos teus pais
É todo esse gel que te prende as ideias
Com tantas horas que passas ao espelho
Onde só te vês como horizonte
Pois nunca esperas que essa imagem te confronte!
Carícias, beijos
No calor de uma paixão
Na noite em que nos vamos descobrir
Entregar-nos a emoção
Cantamos ao ouvido,
Dispo teu traje, espalho-o pelo chão.
Toca-me no mais fundo da minha alma!
Remexe os meus sentidos menos apurados.
Descobre-me no mais íntimo do meu ser.
Explora todos os contornos…
Fica nos meus braços,
É a entrega total!
Não sentimos o controle da emoção,
Invade o corpo,
Domina o pensamento,
Deixa-te possuir
Pela entrega total!
Pesa os contras e os prós
Dá o salto agarra a corda
Ouve o eco da tua voz
Vive com aquilo que tens
Deixa o cinismo barato
Enfrenta o mundo de pé
Tira a pedra do sapato
Consome tudo o que podes
Dá de beber a inspiração
Digere bem as toxinas
Deixa-te comer pelo coração
Faz a síntese do já vivido
Muda o que tiveres a mudar
Não fiques agora a dormir
Ainda há tanto a conquistar
Se ai já não há nada a fazer
Parte pra outra aventura
E já em nada vais falhar
Mantendo sempre a postura
Que sociedade esta
Onde não nos conhecemos, não comunicamos…
Onde estão os sorrisos que
Na infância não disfarçamos.
A inocência na entrega do coração,
Onde estão os amigos, a nossa outra alma,
Separamo-nos até dela…
Perdidos andamos vivendo,
Que vai ser de nos?
Vai existir um mundo para cada um,
Onde vamos viver independentes
Sei lá carentes!
Sociedade anónima está
Nos maltrata, aparta
Multidão que caminha sozinha
Em direcção do nada
Nem luz no fundo do túnel se avizinha.
Esqueceremos significados de palavras
Vão perder-se valores,
Ganhar-se-ão rancores!
Pessoas hostis nos tornamos
Incompreensíveis, incompreendidas,
Desprezadas, suicidas…
Sociedade anónima está
Nos maltrata, aparta
Multidão que caminha sozinha
Em direcção do nada
Nem luz no fundo do túnel se avizinha.
Comunicar formal
Necessidade de sermos maiores que o mundo
Se nem ainda calcamos toda a terra!
Beleza alienina nos corpos esculturados
Pelos novos artistas desta S.A.
Onde residirá de novo o amor e a paz?
Na mais alta das montanhas…
Mas vamos estar todos muito esgotados para subi-la.
Reacções
Quero ver-te reagir
Quando te trato como lixo
Usado, vasculhado
Então, tas a sentir?
Sente a raiva que te corre nas veias
Salta pró mundo te conhecer
Mostra o teu lado encoberto
Sai do claustro, liberta-te.
Encomenda uma dúzia de ambições
Transforma essas cartas em canções
Vende a alma ao diabo
Assim não morres gelado!
É de sentido único o acesso ao teu coração?
Não pode lá entrar alguém apaixonado?
Não te movo com uma emoção
Já sei é de acesso condicionado…
Fizeste a escolha errada
Não seguiste o que a vida te deu
E agora queixaste não ter nada!
Tira a máscara,
Vives na farsa!
És objecto de ganância
Sujeito a um meio corrupto
Mas mesmo sem elegância
No teu projecto colherás teu fruto.
Tira a máscara.
Vives na farsa!
Obrigaste-me a por a aliança
Porque não quiseste vendê-la de graça
Não consideraste o peso na balança
Agora vais viver na tua desgraça.
Tira a máscara,
Vives na farsa.
Não quiseste entregar-te ao coração
Por viveres nesses teus devaneios
E porque em toda essa indecisão
Ainda queres viver em mundos que te são alheios.
Tira a máscara,
Vives na farsa!


