terça-feira, 4 de março de 2008

Colecção do papel

Futuro brilhante!
Vivemos nesta vida armadilhada
E é a cafeína o nosso combustível
Ficas alerta dos problemas sociais
Mas com os teus estás sempre indisponível

Ralhas com teus pais
Como se eles fossem estranhos
Desprezas toda essa geração!
Fazes o que te dá na real gana
Esquecendo quem te deu educação

Vais trabalhar
Com vontade de ires dormir
Nem pensas como essa empresa te foi admitir!

Fugiste a tropa, não namoras que é que fazes?

Tás acordado enquanto os outros dormem
Depois queixas-te ouvir dizer que não és homem!

Que triste fim que vejo para ti
Agoniado enquanto acordado
Com aquela grande bebedeira
Ingerindo vodka a noite inteira!

O tempo passa e tu ai parado
Não vais crescer assim sempre deitado!

Estás perdido no meio dessa confusão
Dessas ideias que julgas geniais
Mas quando o fim do mês esta a porta
Vais pedir é ajuda dos teus pais

É todo esse gel que te prende as ideias
Com tantas horas que passas ao espelho
Onde só te vês como horizonte
Pois nunca esperas que essa imagem te confronte!


Entrega total

Carícias, beijos
No calor de uma paixão
Na noite em que nos vamos descobrir
Entregar-nos a emoção

Cantamos ao ouvido,
Dispo teu traje, espalho-o pelo chão.

Toca-me no mais fundo da minha alma!
Remexe os meus sentidos menos apurados.
Descobre-me no mais íntimo do meu ser.
Explora todos os contornos…
Fica nos meus braços,
É a entrega total!

Não sentimos o controle da emoção,
Invade o corpo,
Domina o pensamento,
Deixa-te possuir
Pela entrega total!
Salta e avança

Tas a beira do abismo
Pesa os contras e os prós
Dá o salto agarra a corda
Ouve o eco da tua voz

Vive com aquilo que tens
Deixa o cinismo barato
Enfrenta o mundo de pé
Tira a pedra do sapato

Consome tudo o que podes
Dá de beber a inspiração
Digere bem as toxinas
Deixa-te comer pelo coração

Faz a síntese do já vivido
Muda o que tiveres a mudar
Não fiques agora a dormir
Ainda há tanto a conquistar

Se ai já não há nada a fazer
Parte pra outra aventura
E já em nada vais falhar
Mantendo sempre a postura
S.A.

Que sociedade esta
Onde não nos conhecemos, não comunicamos…
Onde estão os sorrisos que
Na infância não disfarçamos.
A inocência na entrega do coração,
Onde estão os amigos, a nossa outra alma,
Separamo-nos até dela…
Perdidos andamos vivendo,
Que vai ser de nos?
Vai existir um mundo para cada um,
Onde vamos viver independentes
Sei lá carentes!

Sociedade anónima está
Nos maltrata, aparta
Multidão que caminha sozinha
Em direcção do nada
Nem luz no fundo do túnel se avizinha.

Esqueceremos significados de palavras
Vão perder-se valores,
Ganhar-se-ão rancores!
Pessoas hostis nos tornamos
Incompreensíveis, incompreendidas,
Desprezadas, suicidas…

Sociedade anónima está
Nos maltrata, aparta
Multidão que caminha sozinha
Em direcção do nada
Nem luz no fundo do túnel se avizinha.

Comunicar formal
Necessidade de sermos maiores que o mundo
Se nem ainda calcamos toda a terra!
Beleza alienina nos corpos esculturados
Pelos novos artistas desta S.A.

Onde residirá de novo o amor e a paz?
Na mais alta das montanhas…
Mas vamos estar todos muito esgotados para subi-la.

Reacções

Quero ver-te reagir
Quando te trato como lixo
Usado, vasculhado
Então, tas a sentir?

Sente a raiva que te corre nas veias
Salta pró mundo te conhecer
Mostra o teu lado encoberto
Sai do claustro, liberta-te.

Encomenda uma dúzia de ambições
Transforma essas cartas em canções
Vende a alma ao diabo
Assim não morres gelado!

É de sentido único o acesso ao teu coração?
Não pode lá entrar alguém apaixonado?
Não te movo com uma emoção
Já sei é de acesso condicionado…

Letras para musica (Joca), 2005
Máscara

Vives no mundo que não é o teu
Fizeste a escolha errada
Não seguiste o que a vida te deu
E agora queixaste não ter nada!

Tira a máscara,
Vives na farsa!

És objecto de ganância
Sujeito a um meio corrupto
Mas mesmo sem elegância
No teu projecto colherás teu fruto.

Tira a máscara.
Vives na farsa!

Obrigaste-me a por a aliança
Porque não quiseste vendê-la de graça
Não consideraste o peso na balança
Agora vais viver na tua desgraça.

Tira a máscara,
Vives na farsa.

Não quiseste entregar-te ao coração
Por viveres nesses teus devaneios
E porque em toda essa indecisão
Ainda queres viver em mundos que te são alheios.

Tira a máscara,
Vives na farsa!
Ao Ricardo para Raka 2005

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Nunca sou, apenas estou

Transporto a força utópica no meu coração e existo muito mais do que aparento nesta viagem efémera á mercê da evolução.

Porque nunca sou, apenas estou.

Fico ao sabor do acaso, enquanto a esperança me consome… enquanto sei que só me quero perder por aqui sem saber se vou voltar. Mas vou ficando, confrontada pelas coincidências proeminentes que limitam o meu progresso infinito.

Porque nunca sou, apenas estou.

De quando em vez, e de acordo com as peculiares necessidades da minha sanidade mental, jogo a sorte da vida, à amplidão do escuro e fico a desdobrar-me nas experiencias vitais.

Porque nunca sou, apenas estou.

As vezes sinto quase como que se tivesse várias pessoas diferentes cá dentro, cada uma mais complicada que outra.
Com algumas que me conhecem, e com outras que não posso contar.
E reconheço que todas são apenas uma… fragmentada!
Então, reencarno e perco temporariamente a lembrança da força utópica que transporto eclipsada dentro do coração, pronta para a nova viagem. Mas o que me prende ao corpo físico é mais forte… está revestido de uma falsa moral que me coloca restrita dentro de uma cápsula recheada de latejos vitais.

Porque nunca sou, apenas estou.

Fico fraca e ando adormecida, quando não percebo pensamentos e emoções que me chegam de vós. Mas mais ainda quando tudo o que quero dizer não sai e tudo o que disse não foi suficiente… Vejo o tempo a passar e eu sem conseguir expressar o mundo de uma forma concreta…

Porque nunca sou, apenas estou.

Deixo o meu corpo passar pelas experiências impostas pelos valores universais enquanto a minha consciência pisa o que não tento ocultar. E cada vez que o meu pensamento continua a ser intermitente diante das tantas coisas que acontecem na prova diária, submeto-me á condição de ser humano vulgar, onde me deixo insensibilizar pelo limitado sentido físico.

Porque nunca sou, apenas estou.

Apesar de me reconhecer superior penso, sinto e faço coisas estranhas, como se fosse um ser efémero e errante na vida, privada da minha utopia.
É paradoxal, mas a esperança perdeu a confiança em si mesma e trocou a utopia pela frieza da inquietação.

Porque nunca sou, apenas estou.

Mesmo erguendo dias difíceis na viagem, ainda assim reconhece-me como uma quimera imortal inundada de palpitação universal, aquela mesma que sustenta imensurabilidade de nada, e que faz a viagem em si mesma sem saber que a rota imperfeita é inseparável do seu próprio corpo mortal.

Porque nunca sou, apenas estou.

Sou então uma viajante eterna na minha confusão, porque haverá sempre coisas que não saberei exprimir em palavras as quais só os meus 5 sentidos em conjunto as saberiam expressar, mas que só em silêncio as posso sentir.

Porque nunca sou, apenas estou.

Sou mais do que aparento quando só estou. Às vezes, sou estranha mas mesmo assim sou a ilusão! Essa é a minha maior segurança!
Levo sempre muito de por onde passo mas deixo ficar pouco de mim…

Porque nunca fui, apenas estive…