Acalorado em mim estes dias marginais que se forçam sempre iguais.
Já passaram por mim tantos dias, mas nunca cheguei a viver amanha!
Do ontem posso-me lembrar-me hoje, mas pelo amanha só me resta esperar que chegue…
Mas à espera desespero por aquilo que nunca chega, nem nunca poderá chegar.
Ide tristezas de ontem,
deixai comigo o corpo que me resta,
porque hoje só hoje me conheço!
Agora só agora me pergunto: para quê esperar por amanhã?
As horas no pulso, realçam esta esperança de adiantar o relógio e passar para amanhã.
Mas neste contraste apuro que o dia não passa mais depressa nem me traz mais alegrias…
Certa do combate em que me arrasto,
nos piores dias quando me escondo,
entre os relógios e os calendários
e as quatro paredes que me sufocam,
na surdez das palavras… ainda assim só quero acordar amanhã.
Na artificial perturbação dos poemas que deixo de escrever,
á espera de amanha para soltar o grito,
vou por ai apenas hoje, e continuo a ser eu, no mesmo compasso repisado dos dias marginais
Sou um completo desaire, fora do tempo, a dar prazo às palavras do coração.
Quem me dera ter um amanha distinto,
e que a força que guarda a minha imaginação rompesse da ignorância e quisesse divagar,
como que subindo à proa do meu barco imaginário sem medo de cair ou afundar…
Dizem que amanhã será melhor!
Ainda assim escrevo hoje, porque quero sonhar vigilante e não ficar cega,
mas continuar acreditar que amanhã virá não sei quando!
Hoje quero fazer tudo o que não fiz ontem…
E se o tempo passa eu quero aproveitar, e sempre que um dia acaba outro virá!
Mas não vou poder chamar a hoje o amanhã!
O dia de amanha ainda ninguém viveu
Porque o amanha de ontem é o dia de hoje!
O amanha não corta os laços com o ontem nem impede o presente.
O amanhã não pode ser tarde demais…
E o que quer que seja…
É que vai acontecer no meu amanha que será hoje!
quarta-feira, 25 de julho de 2007
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