Sei o que sinto mas não o posso dizer,
apesar de nada me impedir de o fazer.
Penso no que não quero,
sonho o que não consigo,
quero o que não tenho,
vejo o que não sou…
Não sei sempre o que dizer
mas sei como agir…
e quando os lábios fingem
os olhos desviam a certeza,
e é nesta troca
que me podem apreciar na mais profunda tristeza!
As ideias são metamorfoseadas quando vejo o adverso
e considero que o que considerava já não mais vou considerar…
Tenho incessantemente a sensação que experimento apenas o que quero parecer
e deambulo com a aparência do que não tenciono mostrar!
Acendo um cigarro,
faço durar o fumo e oculto o que sou
imaginando qual o rumo
de onde estou, para onde vou.
Fraca ou forte sei
que tudo termina na morte
mas eu vivo na aventura
de ter essa fatal sorte
não pedi para ser,
não posso prever quando ir,
mas acho que se os dias são meus,
me cabe a mim decidir!
Na incerteza percorro o espaço,
na duvida desço à terra
e quando penso que me encontrei,
algo refuta o que transformei.
Tenho um gosto acre e doce
e muitas formas de me modelar
mas é esta ansiedade que destrói
a vontade que tenho de chorar!
Tento libertar-me do que me agarra à moralidade,
afastando-me da responsabilidade
mas ao volver prendo-me ao preconceito
e a verdade é que quando dou tudo, nada aceito!
Ausento-me sem abalar,
termino sem começar,
vivo numa definição inconcreta,
a sonhar em ser poeta!
Enfadada do que sou,
imploro que por um instante pare o tormento…
mas que o castigo quando voltar,
me traga a saudade e nunca o esquecimento.
Não vou abdicar desta dor,
que se calhar até é amor,
nem troco os meus ideais,
por inspirações triviais.
E é esta tristeza profunda que tenho dentro de mim,
que destinei declarar
e agora que sabeis,
dai-me razoes para não me matar!
Agora desarmada,
reconheço a culpa e a inconsciência,
mas continuo com esta ameaça
de que se não morrer vou cair na demência!
quinta-feira, 19 de julho de 2007
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