sábado, 1 de dezembro de 2007

Não peço nada! Apenas que me deixem ser eu mesma...

Tenho os olhos da cor do que vejo, e a sensibilidade das coisas que toco.
Como que inócua observo de frente o lado inverso da vida…

Em tempos de alento e coragem, ninguém cala a voz, que quanto mas sente mas ecoa, que não pede clemência, apenas solta o que experimenta…
Mas a ânsia é a espera dos dias em que inspiração abala sem avisar… dos momentos em que consumo todo o silêncio na solidão em redor, e acordo para a agonia da realidade.

Só eu oiço o meu silêncio ensurdecedor!

Tanto sentimento alado mora na minha alma quando há ruído…quantas sensações escondidas nas palavras quando são transmitidas.
Quanta perfeição perdem os meus olhos quando estão cegos.
Tanta distância percorre a imaginação no breu.

Vivo na vida sem dar vida ás coisas…
E não alcançando os fins…é tanto de nada que faço!


A fraternidade é o que me faz doer a saudade!
Pela dívida que tenho á lealdade, de naqueles dias em que quero expressar pensamentos hediondos e ser o não devia, apenas sou a falsa sensação ocultada pela incongruente moral.

Sou apenas diferente de nós e igual aos outros!

Perco tudo, como tenho perdido o viver… e a sentir que o impossível é mais fácil do que o real, seguro com uma mão a morte com a outra atiro a sorte.

Acredito realizar tudo, sem certezas de que nada perdi.
Mas reconheço que o propósito é apenas e só a expectativa tangível…
Ainda assim me perco e disperso em sórdidos atalhos, e deixo que exerçam em mim o poder que me impede de lutar pelos ideais que elevo em sonhos e pensamentos utópicos.

Com fome de esperança e sede de água mansa, tenho vontade de ser uma alma nua, compreendida pela vossa estima.
Que em vez de desdém me olhem como dantes, e não apenas me mesurem com um entusiasmo que nada significa.

Peço só tão pouco de nada, mas já é muito para não sentir nostalgia da morte!

Mas ás vezes a desilusão aparece, para levar consigo o que eu tinha de melhor… e a esperança vencida afunda-se no ruído dos olhares que se atravessam.

E aqui estou eu, no palco da loucura, com toda a plateia insana a assistir.
Serei eu mesma a que me sigo, ou serei eu mesmo a que me arrasta!?

sábado, 27 de outubro de 2007

Ser humano é…

Ser humano é…

Ser complexo
Ter uma historia
Ter necessidades
Ter capacidades e potencial
Ter limitações
Ser emocional
Ter afectos…


…tudo são estados…

Não somos tristes, nem somos felizes…temos momentos! E o que nos move é a procura pelo bem-estar, as construções de significado, o alcance da perfeição e a beleza das coisas…

…mas sobretudo as experiências…

O crescimento emocional é o resultado de um processo de experimentação.
E as experiências fracassadas fazem parte desse processo, tanto quanto as bem sucedidas… aprender com isso é um processo interminável, por isso temos que aproveitar cada momento…

Não há momentos certos, por isso protelamos e arranjamos sempre uma desculpa, quando o melhor momento é aquele que elegemos ou decidimos ser O momento.

Quando se tenta evitar uma coisa, mais difícil nos é evita-la.


Assim temos de gerir os nossos “estados” que não são mais nem menos que emoções e impulsos diários, inconscientes, sempre presentes. Gerir não é dominar o que pensamos ou como sentimos, é a diferença entre o ter e o ser, o querer e o fazer…

Agora que estas preparado/a alcançaste a 1ª fase sequencial de um processo criativo – a Vida!
A próxima fase será a incubação, depois a iluminação e por ultimo a verificação de tudo o que foste capaz, apenas gerindo a melhor empresa do mundo – Tu!

domingo, 26 de agosto de 2007

Preconceitos

Só por puro preconceito,
não se actua indiferente,
com aquele que é sujeito,
a ser julgado injustamente.

Que querem fazer da vida,
cerrando assim o olhar?
Que pode provocar ferida,
pelo simples acto de censurar.

Nesta sociedade doente,
com grande falta de coragem,
a que ser prudente,
para não capitular na voragem
de um sentimento de superioridade,
perante o desconhecido,
que humilha a igualdade,
na ignorância do juízo.

Pois quem vive na arrogância,
não percebe que toda a gente,
por simples concordância,
tem o direito de ser diferente.

E mesmo com pouca educação,
de quem se esquece de dar atenção,
não percebe que ao irmão,
também bate um coração!

Conceituar sem se conhecer,
indagar só o auto conhecimento,
é não querer apreciar ou aprender,
como a diferença que nos ajuda ao crescimento.

Toda a descriminação,
por falta de criatividade,
já condena a comoção,
de quem não provém da originalidade.

Só quando prevalece o amor,
se reflecte a elegância de um coração,
independente da cor,
livre de raça ou religião.

Mil e uma formas de dar e repartir,
recebidas com interesses desiguais,
que mesmo a multiplicar ou dividir,
nunca seriam em partes iguais…

sábado, 25 de agosto de 2007

Ainda assim...

E um dia a vida será justa para mim… no dia em que o perfume repugnante da morte perambular de livre vontade pelo meu cadáver
evocando para todo o sempre a bonança da guerra que combati sem propósito...
da guerra que fez de mim uma aventureira na conquista pelo nada…

Será que vou passar a vida toda à procura de um sentido?
Se é o mero acaso e a coincidência a que alguns tendem a chamar de sorte que me guia?
É esta luta que me leva a um conforto… o de ir morrendo antes mesmo de desaparecer na escuridão perpétua.

Cansada de tudo…sinto que vão falecendo partes de mim…
Mas o que mais me cansa é ter de ser eu a fazer a inumação e visitar a sepultura.

Ainda assim porfio nesta extensão da minha ignorância que as coisas dependem da percepção dos meus próprios olhos de quando observam, ou apenas vêem.

sábado, 11 de agosto de 2007

Se fores não vás!

Não lamento o que vivi,
mas sim o que sonhei e não cumpri!

Bom era não sofrer,
apenas aproveitar ter privado com uma pessoa maravilhosa,
que despertou em mim uma forte sensação
e que me fez companhia por um tempo pequeno,
proporcionando-me uma fase grande.
Não esquecerei o que não foi desfrutado, todas as coisas que desejaríamos
ter conhecido ao lado uma da outra e não conhecemos,
todos os projectos que gostaríamos de ter tido juntas e não tivemos,
todos os planos e intenções e silêncios que gostaríamos de ter partilhado, e não partilhamos…
todos os abraços cancelados, pela eternidade,
tudo o que te quis dizer e não disse!
Vou sofrer, não porque vais estar longe ou morrer,
mas por todo o tempo livre que deixai de ter para conversar contigo,
para te abraçar, para te “mirar”.
Vou ter saudades, não porque fui apressada contigo, mas por em todas as ocasiões em que poderíamos estar a segredar as nossas mais profundas opressões,
não estar totalmente na disposição de as compreender.
Sofro não porque te perdi, mas pela ânsia asfixiada de que um dia irás.
Sofro não porque o tempo passa, mas porque o futuro é previsível, impedindo assim que um milhões de peripécias nos aconteçam e que tudo aquilo que sonhamos, nunca vamos chegar a experimentar juntas.

Não me vou iludir tanto
e vou viver mais cada dia contigo
pois o desperdício está no afecto que não damos,
na alento que não usamos,
na precaução comodista que nada arrisca,
e que, escapando do tormento,
faz aniquilar também o contentamento.

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Amanhã não existe!

Acalorado em mim estes dias marginais que se forçam sempre iguais.

Já passaram por mim tantos dias, mas nunca cheguei a viver amanha!

Do ontem posso-me lembrar-me hoje, mas pelo amanha só me resta esperar que chegue…

Mas à espera desespero por aquilo que nunca chega, nem nunca poderá chegar.

Ide tristezas de ontem,
deixai comigo o corpo que me resta,
porque hoje só hoje me conheço!
Agora só agora me pergunto: para quê esperar por amanhã?

As horas no pulso, realçam esta esperança de adiantar o relógio e passar para amanhã.
Mas neste contraste apuro que o dia não passa mais depressa nem me traz mais alegrias…

Certa do combate em que me arrasto,
nos piores dias quando me escondo,
entre os relógios e os calendários
e as quatro paredes que me sufocam,
na surdez das palavras… ainda assim só quero acordar amanhã.

Na artificial perturbação dos poemas que deixo de escrever,
á espera de amanha para soltar o grito,
vou por ai apenas hoje, e continuo a ser eu, no mesmo compasso repisado dos dias marginais

Sou um completo desaire, fora do tempo, a dar prazo às palavras do coração.

Quem me dera ter um amanha distinto,
e que a força que guarda a minha imaginação rompesse da ignorância e quisesse divagar,
como que subindo à proa do meu barco imaginário sem medo de cair ou afundar…

Dizem que amanhã será melhor!
Ainda assim escrevo hoje, porque quero sonhar vigilante e não ficar cega,
mas continuar acreditar que amanhã virá não sei quando!

Hoje quero fazer tudo o que não fiz ontem…
E se o tempo passa eu quero aproveitar, e sempre que um dia acaba outro virá!
Mas não vou poder chamar a hoje o amanhã!

O dia de amanha ainda ninguém viveu
Porque o amanha de ontem é o dia de hoje!
O amanha não corta os laços com o ontem nem impede o presente.
O amanhã não pode ser tarde demais…
E o que quer que seja…
É que vai acontecer no meu amanha que será hoje!

Eu, tormento

Não sei como me soltar deste tormento,
na procura constante pela fantasmagoria.
Se ao menos por um momento,
pudesse manter cativa a alegria...

Sou resultado de um vagar eternal,
quando o trabalho não consome.
E a ânsia torna-se fatal,
enquanto o meu corpo dorme.

A minha fonte carregou a origem,
de um alma forte mas fria,
que vagueia na vertigem,
de viver nesta nostalgia.

Sou um procurar clandestino,
num sonho à deriva,
que espera que o destino
lhe reserve a melhor saída.

Á espera do desejo desperto,
Á espera que nasça a semente,
todos os dias me despeço
de ninguém e de toda a gente!

Assumo a culpa,
e me fortaleço,
mas não tendo desculpa,
apercebo-me do quanto cresço.

E o movimento do meu rosto,
leva para longe a tristeza,
mas o meu grande desgosto ,
e o de viver nesta incerteza!

Os planos concebidos com perfeição,
são sempre esboços remendados,
igual á desculpa da alucinação,
que ilude o alento dos condenados.

Sempre que morro enquanto viva,
opero sempre consciente,
que esta determinação consumida
me assola injustamente!

Mas escolho não estar adormecida
e ter pensamentos amovíveis.
De que vale a vontade sumida
com feitos invisíveis…

Insisto na vontade,
de saber que no fim,
afinal a verdade
estava dentro de mim.
Que enquanto na altivez,
pensei que ninguém me entendia,
vivi na timidez
sem saber o que perdia!

Serei débil para aceitar
que a existência não é ideal?
Serei ingénua para acreditar
Que sonharei sempre em espiral?
No fundo…bem lá no fundo
nunca… mesmo nunca quero chegar ao final!

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Tristeza profunda dentro de mim

Sei o que sinto mas não o posso dizer,
apesar de nada me impedir de o fazer.
Penso no que não quero,
sonho o que não consigo,
quero o que não tenho,
vejo o que não sou…

Não sei sempre o que dizer
mas sei como agir…
e quando os lábios fingem
os olhos desviam a certeza,
e é nesta troca
que me podem apreciar na mais profunda tristeza!

As ideias são metamorfoseadas quando vejo o adverso
e considero que o que considerava já não mais vou considerar…
Tenho incessantemente a sensação que experimento apenas o que quero parecer
e deambulo com a aparência do que não tenciono mostrar!

Acendo um cigarro,
faço durar o fumo e oculto o que sou
imaginando qual o rumo
de onde estou, para onde vou.

Fraca ou forte sei
que tudo termina na morte
mas eu vivo na aventura
de ter essa fatal sorte

não pedi para ser,
não posso prever quando ir,
mas acho que se os dias são meus,
me cabe a mim decidir!

Na incerteza percorro o espaço,
na duvida desço à terra
e quando penso que me encontrei,
algo refuta o que transformei.

Tenho um gosto acre e doce
e muitas formas de me modelar
mas é esta ansiedade que destrói
a vontade que tenho de chorar!

Tento libertar-me do que me agarra à moralidade,
afastando-me da responsabilidade
mas ao volver prendo-me ao preconceito
e a verdade é que quando dou tudo, nada aceito!

Ausento-me sem abalar,
termino sem começar,
vivo numa definição inconcreta,
a sonhar em ser poeta!

Enfadada do que sou,
imploro que por um instante pare o tormento…
mas que o castigo quando voltar,
me traga a saudade e nunca o esquecimento.

Não vou abdicar desta dor,
que se calhar até é amor,
nem troco os meus ideais,
por inspirações triviais.

E é esta tristeza profunda que tenho dentro de mim,
que destinei declarar
e agora que sabeis,
dai-me razoes para não me matar!

Agora desarmada,
reconheço a culpa e a inconsciência,
mas continuo com esta ameaça
de que se não morrer vou cair na demência!

Parábola Chinesa

Com dinheiro podemos comprar uma casa, porém não um lar;
Com dinheiro podemos comprar um relógio, porém não o tempo;
Com dinheiro podemos comprar uma cama, porém não o sono;
Com dinheiro podemos comprar um livro, porém não a sabedoria;
Com dinheiro podemos comprar um médico, porém não a saúde;
Com dinheiro podemos comprar status, porém não o respeito;
Com dinheiro podemos comprar sangue, porém não a vida;
Com dinheiro podemos comprar sexo, porém não o amor.